sábado, 24 de outubro de 2015

Uma mensagem de paz - 23 de outubro de 2015

Hoje compartilho com meus filhos, netos, familiares e amigos a Celebração do quarto ano da Ressurreição da Lenir. Tenho a convicção, de onde ela se encontra, envia para todos nós o seu afeto de amiga, mãe e avó. Tenho também a convicção de que suas bênçãos são enviadas para a nova família que a Luza e eu constituímos em nossa jornada terrestre. De minha experiência e minha vivência eu compartilho o sentimento de superação do luto e da dor. Quando deixamos de encarar a morte como uma traição à vida e buscamos, de acordo com a crença espiritual de cada um de nós, receber na mensagem de Jesus o sentido da ressurreição podemos então abrir o coração para a paz da promessa divina. Esta é também uma mensagem de esperança para todos que hoje sofrem esta dor e imaginam que nunca irão superá-la.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Terceiro ano da ressurreição da Lenir

Hoje meu filho Fabrício me ligou de São Paulo para compartilhar a recordação da partida da Lenir para o plano espiritual. Queria saber como eu estava. Então eu lhe contei o seguinte sonho que tive alguns meses depois da Lenir ter partido:

- O cenário era um quarto em que a Lenir estava deitada. Suas amigas tinham vinho de São Paulo para seu velório. Então, chegando ao quarto elas viram  a Lenir conversando;seu semblante era muito triste.
As amigas me perguntaram:
- E agora o que você vai fazer? Eu não sabia. Elas continuaram:
- Olha só! A Lenir queria tanto partir e agora ela não consegue ir embora. No sonho era tudo muito estranho. Era como se todos nós tivéssemos rompido alguma lei da natureza. Havia em nós um tipo de sentimento de transgressão. Mas na tristeza da Lenir era como se ela mesma não soubesse o que fazer. Neste momento chega meu pai (que já faleceu também), usando uma roupa de gala,  e diz: - Podem deixar. Eu vou resolver isto.
Na sequência ele chama pela Lenir que o acompanha. Nós todos ficamos apenas olhando. O clima era de calma e expectativa. Os dois se dirigem para um elevador e, quando sua porta se abre, eles entram. Fazendo apenas um pequeno aceno, as portas do elevador se fecham e em seguida sobe.
Depois disto todos sentimentos um tipo de alívio como se as coisas tivessem voltado ao normal. Como se tivesse restabelecido a lei, que fora rompida.
Ainda no sonho lembro as mensagens espíritas que falam de pessoas que têm dificuldade de libertar o próprio espírito depois da morte. Por alguma razão ficam prisioneira na terra. No filme Ghost esta situação é mostrada. No meu sonho era como após eu e as amigas da Lenir reconhecendo seu direito de descansar ela finalmente então se liberta.
Contei o sonho para o Fabrício e ele ficou emocionado. Reconheceu que aqueles entes queridos que partiram, como sua própria mãe, tinha o direito sagrado ao descanso. E assim foi.
Eu disse então ao Fabrício que este sonho me ajudou a superar a dor da partida da Lenir. No lugar da dor ficou a saudade de uma pessoas que sempre amamos. Ele então completou, dizendo que agora ela devia estar velando por todos nós em algum canto do céu, junto com todos os nossos parentes que já partiram. E o dia de hoje seria lembrado não como um dia triste, mas como a celebração de outra dimensão da vida, tão natural quanto o próprio nascimento.
      

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

"Chegam a dizer que sair do luto é trair a memória do falecido. Nunca lhes ocorreu que cultivá-lo pode ser contra a vontade da pessoa que se foi!"

No dia do velório da Lenir, ao voltar para casa, vivendo uma espécie de torpor, onde nem mesmo a dor do seu falecimento conseguia romper, encontrei numa agenda um texto que me chamou atenção. Era um texto de um padre católico que falava sobre o luto. Podia até mesmo não concordar com todas as palavras deste padre, mas ali estavam palavras de consolo. Era como se Deus tivesse me deixado aquele texto para o momento que eu mais precisava. Passado dois anos deste episódio encontro outro texto do mesmo padre (Padre Zezinho) falando sobre o TEMPO DO LUTO. De tudo o que me chamou mais a atenção foi a ideia de que as datas de um episódio como o que "chamamos morte" ( Pierre Weill nos fala da Morte da Morte) era na realidade a Celebração da Ressurreição. É assim que compartilho com meus filhos, netos, parentes e amigos esta data, que  na minha linguagem chamo de TRANSMUTAÇÃO da consciência. Segundo meu próprio sistema de crença Lenir vive hoje o estado de uma consciência mais alargada, que inclui paz,  plenitude e um amor mais universal. Então é desta forma que celebro sua memória, procurando fazer do meu próprio sentimento um gesto de consolo e superação para os que ainda vivem a dor do luto. Eu vivo agora a alegria da transmutação, que pode incluir saudade, mas que é antes de mais nada um sentimento de paz.      Lembra-nos padre Zezinho: " Cremos que os que morreram são os primeiros a pedir que paremos de cultivar sua morte."  

"UM PRAZO PARA O LUTO
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Comentei em abril de 2011, por ocasião do triste episódio da escola do Realengo que, com raras exceções, o luto tem um prazo. Aos poucos, até de maneira inconsciente a pessoa vai se adaptando à ausência da pessoa amada como se adapta às grandes feridas do corpo. Graves acidentes costumam exigir mais tempo para a cura, mas a dor passa, a ferida é sanada e as cicatrizes que ficam lembram o que houve, mas doem menos o quase nada porque acabaram os dias de chaga viva.
Poucas pessoas cultivam luto prolongado. E não é nem nunca foi falta de amor. É dor superada. Aqui e acolá sabe-se daquela mãe, e daquela namorada ou daquele pai para quem a vida acabou. Seu amor foi para o lado de lá e eles ou elas se trancaram do lado de cá. Ou jogaram as chaves fora, ou não as acham, ou não querem sair do seu isolamento. Dizem que não conseguem controlar, mas é dor consentida e cultivada. Chegam a dizer que sair do luto é trair a memória do falecido. Nunca lhes ocorreu que cultivá-lo pode ser contra a vontade da pessoa que se foi! Afinal, se o céu existe e se a pessoa está com Deus a ultima coisa que ela, marido, esposa, filho, filha desejam é ver que quem ficou decidiu parar de viver.
Para a maioria o que era ferida, agora é marca que não dói; o que era perda, agora é paz. Se crêem entendem que haverá um reencontro. Como, ninguém sabe, mas haverá. O aqui que terminou para quem se foi também terminará para quem ficou. Haverá um depois e nele as almas se encontrarão numa dimensão que só quem morreu conhece.
Pregadores da fé, além de crer num depois, costumam fantasiá-lo. Crer é uma coisa, fantasiar é outra! Imaginam o Deus que nunca viram e imaginam o céu que também nunca viram. Vivem mais dessas imagens criadas do que da fé que afirma saber que há, mas não como é!
Magistralmente São Paulo propõe aos seus discípulos que se consolem com palavras de esperança. A carne irá para o túmulo, mas não nós. Somos mais do que nosso corpo. Haverá um depois não para o corpo, mas para a pessoa que somos. Quem perde as duas pernas não fica pessoa pela metade. Quando o corpo morre, a pessoa não morre. No dizer da igreja, a vida não é aniquilada, mas transformada. Seremos a mesma pessoa, mas não com os mesmos detalhes físicos. Jesus ressuscitou e atravessava portas. (Jo 20,26).
Para nossa fé a morte não é o nosso último ato e nem o túmulo o nosso último endereço; do corpo, sim, mas não da pessoa que somos! (1 ts 4,13-18) E não pedimos aos mortos que venham até nós. Esperamos sofridos, mas serenos, o dia de irmos até eles.
Cremos que os que morreram são os primeiros a pedir que paremos de cultivar sua morte. Não vestíamos luto enquanto viviam aqui; não vestiremos agora que se foram, sobretudo se cremos que estão na plenitude. Sabem mais do que nós: conhecem os dois lados do viver. Nós, apenas este… Deixar claro que só estaremos bem se eles se manifestarem não seria o mesmo que exigir que voltem. E isto não seria pensar mais em nós do que neles?…
Pe. Zezinho scj

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

FELIZ ANIVERSÁRIO, MINHA BONECA.

Vamos começar organizando as ideias. No dia 2 de agosto de 1953 você nasceu. Em 2 de agosto de 2013 você faz 60 anos e por isto estamos comemorando esta data tão especial, com direito a champanhe e tudo o mais. Todavia, sua contagem de tempo terrestre, foi suspensa há dois anos atrás, quando você mudou de endereço digamos "vibracional". E agora, em seu novo endereço como funciona o tempo? Eu confesso que não tenho a mínima ideia, mas tenho que reconhecer que  você participa de alguma estrutura espaço/temporal. E como tudo isto é muito confuso, resolvi deixar o melindre de lado e te enviar esta mensagem com todo meu amor.
Intuo que você a receberá e ficará feliz com ela. Nós dois sabemos que tem um médium muito especial que recebe notícias suas e me repassa. Você não tem ideia qual não foi minha surpresa quando ele (nosso médium) me passou duas mensagens suas. Se fosse outra pessoa talvez eu nem mesmo acreditaria.  
De qualquer forma meu anjo, esta lembrança é mais um tributo. Como eu já disse trata-se de uma contagem terrestre. Mas eu acho que tem um grande valor afetivo e estético. Você viu a "sua foto". Pois é! Muito especial.
E para não pensarem que isto é papo de doido - falo com a voz do coração - Feliz aniversário, minha boneca.
PS: Para ser sincero não estou nem um pouquinho preocupado em achar que é papo de doido, por uma razão muito simples: afinal o que é a loucura? A morte? A vida depois da morte? A vida na vida? Já dizia meu predileto poeta - o Carlos - "Como ficou chato ser moderno - agora somos eterno". Pronto; aí cabem todos as dimensões do tempo, do pós-tempo, da anterioridade do tempo e todos os entes ontológicos que soe passear pela nervura do ser. (caramba - peguei pesado - mas é coisa de filósofo - você sabe).

Seu eternamente
Fred      

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

24 de outubro de 2012 - "Em Tuas mãos entrego meu espírito"


CORPO


Este desconsolo de ficar
Numa hora insuspeita da noite
Diluído numa sinfonia abstrata
E perante a transitoriedade do amor
Ir buscar no sono distante
A fuga da fuga!

Meu coração se incorpora
À terceira galáxia
E se recusa – violento –
Desprender-se do eterno.
Talvez se memória ajudasse.
Se um corpo de mulher

- um corpo etéreo de mulher –
Surgisse sobre o ombro
Para colher este poema
- uma flor de bronze –

E depois submergisse
Ao contato de outro corpo
- meu corpo perplexo e confuso –

O dia seria uma conjugação possível.

Mas o tempo avança,
Se enrosca aqui e acolá,
Anuncia tornados, isola os amantes,
Sufragando uma noite peremptória
na alma de descuidado vivente.

Na infância aprendi lições de romantismo.
Na idade adulta
Estas lições agora emolduradas

Em velhos casarões

Reúnem-se a incríveis paisagens
Para zombar dos descuidos sentimentais
Que a cada espaço de vida
Desfalecemos

            - a vida vira coisa incerta -.

Mas se a memória ajudasse!
Porém o ar retém uma imagem
Que obscura o cérebro,
Conduz a insônias terríveis
E – de surpresa – repousa no travesseiro
Para ternamente dizer de um tempo pretérito

Onde certa vez o amor aconteceu de súbito.
Não.
Não há consolo quando o coração
Pretende fugas ao eterno.

Madrugada começa a busca
de um sucedâneo para a solidão.

Será vão – mas percorremos o quarto vazio:

            - Lençóis rebuscados restam

           Como testemunho da febre

            Que antecede a diluição da entrega –

Só mais tarde,
Muitíssimo mais tarde,

Ocorre de improviso
Ao artista que em pleno palco

Perdeu sua máscara:

            O corpo é a um só tempo:

            - fogo, miragem, espera.

(Observação: se não me engano este poema foi escrito em 1974. Ele tem algo de “precognição” pela experiência que vivenciei após o falecimento da Lenir. Na data de ontem eu creio ter deixado a Lenir - e a mim  mesmo - realizarmos nossas libertações.)

domingo, 23 de setembro de 2012

Sol, arvores frutíferas e natureza: Recanto da Vovó Lenir

 Le,
Você deve se lembrar bem como nossas crianças curtiam o "Sítio do Vovô Joaquim". Eles ainda se lembram como os melhores tempos da vida deles. Comemorações de páscoa, carnaval, feriados; enfim era nosso refúgio em São Paulo.
Agora, como conversamos e planejamos já estão quase concluídas as reformas da nossa chácara. Olha, eu não me esqueci de abrir a passagem da sala para os novos quartos, como você queria.  Ficou muito legal. Neste portão do meio, entre os dois módulos da cada, fica um corredor que dá para os quartos. Vou colocar os vidros nas janelas e passar o selador nas paredes. Espero que você tenha gostado. Ah! Ia me esquecendo. Fiz uma mudancinha no nome da chácara, que tenho certeza, nossos netinhos vão adorar. A Sohia já disse que aprova. Mas vai ser o "Recanto da Vovó Lenir". Esta é uma forma gostosa deles estarem com você. E sua energia irradiante estar sempre presente no local. Você viu que chique: até uma garagem tem. Assim quando estiver chovendo não precisamos mais meter o pé na lama. Mas olha, agora já final de setembro, estou rezando por um pouquinho de lama. Ninguém aguenta mais tanta segura. Estes dois Ipês Brancos em  frente da casa logo logo estarão florindo. Descobri que temos um pé de "lichia" bem no fundo do terreno, Até o final do ano os meninos estarão aqui.   Um grande beijo querida e até mais.
Eternamente - seu Fred

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Na vesperal da primavera!

Olha ai Duda. Você e a Lenir devem estar em endereço próximo. De qualquer forma não deve ser difícil encontrá-la. O pessoal daí deve possuir algum tipo de Guia de Endereços ou equivalente. De qualquer forma todos sabemos como nos ligam "nossos laços de família". Um grande beijo meu pai. Manda um beijão meu também para Lenir. Um dia, com certeza, iremos todos nos encontrar. E vai ser uma bela farra. Até logo.

Eternamente, Fred .