domingo, 13 de maio de 2012

UMA MENSAGEM "INTERDIMENSIONAL" DA LENIR, NA VÉSPERA DO DIA DAS MÃES.

O testemunho não é apenas meu, mas compartilhado por nossos filhos, noras e netos. Lenir como mãe era uma leoa, aliás este é o seu signo solar. Coerente com esta condição, na madrugada do dia 12 de maio de 2012 recebi  dela uma comunicação "interdimensional".  Foi uma das experiências mais ricas da minha vida. Este tipo de comunicação é chamada mediúnica ou canalização. O que a diferencia de um sonho comum é a sua lucidez e vivacidade. Ela acontece em um dos estágios do sono, conforme atestam as pesquisas em psicologia transpessoal. A comunicação da Lenir, além de me gratificar profundamente, era destinada aos nossos filhos, noras e netos, precisamente na véspera do dia das mães, na primeira data comemorada após sua passagem para outra dimensão. Foi um grande consolo para nossos filhos. Por isto sou grato também ao "Grande Espírito" (que possui dezenas de nomes) por permití que este fenômeno ocorresse. Para aqueles, como os iogues, habituados à meditação profunda este não é um fenômenos incomum. O mesmo pode se dizer de médiuns como o Chico Xavier ou dos trabalhos de pesquisa de Sônia Rinaldi, em transcomunicação instrumental (TCI).
Quando se trata de uma experiência pessoal a ocorrência ganha outra dimensão. Sentimos a possibilidade concreta de abrir um canal interdimensional com as pessoas que amamos. Como professor de filosofia sinto-me à vontade em falar desta experiência, não como uma ilusão, mas como uma realidade concreta. Afinal a tese do primado da consciências como substância primordial do ser é compartilhada por muitos pesquisadores acadêmicos. E o campo da Psicologia Transpessoal tem seus fundamentos nestas pesquisas.
Aos meus filhos tenho a convicção ética de que não lhes transmití uma alucinação, mas uma mensagem verdadeira  da mãe deles e minha eterna companheira Lenir. 
E desta forma posso mais uma vez dizer:
Até logo querida. Nos falaremos em outra oportunidade. Um beijo enorme, meu anjo.
Seu eternamente, Fred.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Le, tomo o rítmo de outro Drummond e te oferto, com paixão, vez que o amor não consola de nuncará.

Amar-amaro  -   de Carlos Drummond

porque amou por que amou
se sabia
p r o i b i d o p a s s e a r s e n t i m e n t o s
ternos ou desesperados
nesse museu do pardo indiferente
me diga: mas por que
amar sofrer talvez como se morre
de varíola voluntária vágula evidente?
ah PORQUE AMOU
e se queimou
todo por dentro por fora nos cantos ecos
lúgubres de você mesm(o,a)
irm(ã,o) retrato espetáculo por que amou?
se era para
ou era por
como se entretanto todavia
toda via mas toda vida
é indignação do achado e aguda espotejação
da carne do conhecimento, ora veja
permita cavalheir(o,a)
amig(o,a) me releve
este malestar
cantarino escarninho piedoso
este querer consolar sem muita convicção
o que é inconsolável de ofício
a morte é esconsolável consolatrix consoadíssima
a vida também
tudo também
mas o amor car(o,a) colega este não consola nunca de nuncará

domingo, 1 de janeiro de 2012

OFERENDA

Neste sagrado espaço,
Em que as coisas tornam-se eternas,
Ainda que infinitamente perenes;
Assim como as rosas jamais desvanecem,
Prolongando seu poder de flor
Em outra mais majestosa rosa;
No mesmo ciclo em que cada semente
Aponta em pleno salto um futuro novo;
Neste estreito e frondoso,
A um só tempo espaço
Eu te busco,
A cada instante busco,
Cada detalhe do teu contorno de mulher.

Um toque
E sinto ser tão absurdo
Tecer o novelo de sentido amplo
Que roça o coração,
Quando de lança em punho,
Lanço-me à moda dos guerreiros
No interior do teu corpo fortuito.

Não há forma que se atreva
Nem verso que comporte
Esta ambigüidade de fêmea,
Noutro instante fera indomada.

Mas que se aconchega dócil
E traz no olhar uma promessa,
Nos lábios toda a aragem vespertina,
O ser integral que se faz luz
Roubando o brilho de toda composição constelar.
Caminho neste teu bailado.
Percorro teu ventre e sinto tua pele
Superior ao calor das brasas.
Com as minhas mãos
                   Libertas e escravas
Eu te recolho e me oferto.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Tempo - o Poema Provisório

Certas lições aprendi com as estrelas;
Destas que já tarde,
quando as horas se despem de suas folhagens
                            mais solenes e ríspidas,
descobrimos
num canto da sala,
Indiferente ao seu poder de luz.

Repetidamente interrogamos
perante surdas muralhas:
Porque voltar para casa
se o dia é como um raio
que nos transporta
a subterrâneos cristalinos,
onde o amor explode
indo esbarrar no perímetro
de nossa impossibilidade humana?

No final de tudo fica uma vontade maior;
Fica um trejeito imprevisto,
interrogando a praia e o obscurantismo
de passados soterrados na memória
e de um tempo cuidadosamente esquecido.

Ante o conjunto de opções
não me contenho e prossigo:
(o que é esse tempo mergulhado
em folhinhas de mulheres nuas?)

No entanto contarei a todos os meus alunos
A história dos homens. Hoje contarei.

Há muito reservo – corrompendo
Em cantilenas o circuito mais próximo, -
Um beijo épico, que contasse
Um tempo no pós-manhã. Um tempo
de descuidado passeio
pela viela vespertina.
Provisoriamente o sol não chegou
Sequer na esquina
Dos nossos laboratórios futuristas.
Ainda assim haveremos de amanhecer
Em qualquer aurora.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Um canto secreto

Uma constelação mal disfarçada
Sobre a face esquerda;
Um sorriso de febre. E o tempo...
E dizer que nem havia percebido
quando a noite – infinitamente noite,
de súbito bloqueada em seu poder de fel
submetia-se a um sol repentino,
que
avançada madrugada propunha eternidades!!!

Deverei sucumbir sobre garras róseas?
E mais tarde perder-me
Em longas cartas a meus avós longínquos?

Em 1902 – se tanto !– a vida cabia em lençóis minúsculos
E pequenas xícaras de chá.

Hoje apenas percebo em mim
Certas constelações insuspeitadas,
Numa memória retilínea
E razões abstratas, de onde subtraio
Um horóscopo particular.

No entanto
Eu devia ter te avisado
Que ao beijo morno da donzela
Lobos perigosos pulam
De minha gravata tímida
E colarinhos angulosos
Convertendo tíquetes sentimentais
Em sabres afiadíssimos, que
Aos poucos
Vão extraindo do meu pouco coração
Perigosas noites de angústia e medo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Poemas para seduzir você

I
Não te exponhas
                   Em demasia.
Não quero apenas
                   A fantasia
                   Dos teus seios.
Quero a tua alma
                   Tua calma.
Quero a tua carne
         E o teu charme.
Quero teu fragmento inteiro.
II

Você sabe versejar?
Então venha.
Caminha sobre o meu ventre.
Deixa repousar nas águas
                   Do São Francisco
                   ( por que é Minas)
O calor o teu jeito bravo.
Venha.
Que não haja constrangimento
No teu desejo animal.
III
É febre isto que você tem?
Teu calor despertou alarme
no quartel da guarda florestal.
Mas este teu desejo...
         Esta tua vontade...
Esta forma de experimentar a vida...
É plenamente tua.
                   02/08/86

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

SINFONIA DE AMOR

(Para a mulher que me ensinou a amar)

Debruçado sobre os fragmentos do passado
Indago nesta dimensão do tempo
                        que se fez eterno
minhas precárias possibilidades
                        de um compositor de estrelas.

Visito teu dorso;
Viajo sobre teu ventre;
Trafego em todos os limites
                        de tua epiderme tenra.

Sei que a pré-aurora prenuncia versos
De um vocábulo jamais traduzido
E, no entanto
Na vasta constelação dos meus sonhos
Eu te sinto desde toda a eternidade.

Teu nome é meu canto; teu amor
            É esta vida que construo,
Subtraindo de uma arquitetura cósmica
A energia de todas as possibilidades.

Por que, meu Deus, por quê?
me conferiste a harmonia deste amor tão profundo
sendo eu um viajor tão precário
conduzindo o leme com mãos de aprendiz,
inda que carregado da intenção dos arqueiros?

Mas como um carpinteiro de dotes elementares
Recorto no lenho tua forma bela de mulher.
Atrevo balbuciar teu nome – Lenir
E te ofertar meus medos, minhas fraquezas,
A multiplicidade de minhas dúvidas
E com a força de um pássaro,
Enfim tornado gigante, deposito como uma flor,
No centro hemisférico do teu coração
O único verdadeiro legado – meu amor
Em toda sua dimensão,
Em toda sua cumplicidade,
E para todo o sempre, eterno.


12/06/1989